domingo, 31 de janeiro de 2010

DESAMPARO

DESAMPARO

Deixo-me ficar no mais vil esquecimento,
Que em mim, torna-se um terrível fardo.
Enquanto olho teu retrato, em pensamento,
Levo a alma ao passeio, que hoje tardo.

Canto sem pensar nos amanheceres que aguardo
Por horas, nas noites que findam, ao relento.
Lágrimas principiam nos olhos - retardo.
Ah! Como a outrora envaidecia-me ao vento.

Abandono-me de forma infantil - reinvento
À essência das folhas secas que guardo
Na sutil esperança de regatar-me - tento.

Perante o precipício, em que me acovardo,
Vou divagando na poesia que alimento
Dias de solidão, em que me resguardo.

Um comentário:

Tatiana disse...

Um belíssimo Soneto!
Vim conhecer o seu blog e aproveitar a oportunidade de dizer que aprecio muito o seu belo dom.
Um abraço carinhoso